Os Olhos Do Meu Cavalo

Fabiano Bacchieri

Tom: Am
 aos poucos vão indo embora 
 as coisas que eu mais gostava... 
 quando morreu meu cavalo 
 por certo deus descansava. 
 Am7 
 era uma tarde de outubro 
                     F  E 
 com silêncio de sol-por 

 um vento nas madressilvas 
                 Am 
 ventava anúncios de dor. 
  
 no céu azul do potreiro 
                  F 
 a corvada, em vôos rasos, 
E  
 trazia garras de morte 
                Am 
 mas a gente nem fez caso. 
                                     
 quando a manhã veio cedo 
                     Am 
 na recolhida pra encilha 
G7 
 faltava um baio cebruno 
              Am       
 na forma da minha tropilha. 
  
 um peão de olhos baixos 
                 F 
 de freio e mango na mão 
E                         E7   
 me disse com dor na alma:  

 - morreu seu baio, patrão! 
F  
 as crinas entre as macegas 

 cardavam teias de aranha 

 que a manhã, ainda agora,  
             Am 
 tinha posto na campanha 
G7  
 e os olhos do meu cavalo 
                        C 
 que há pouco não viam nada... 
                     F 
 já tinham ganhado o céu 
E 
 pelas garras da corvada! 
  
 ficou um silêncio largo 
 talvez faltando um relincho... 
 só um choro pelo arame 
 pelo cantar dos pelinchos. 
  
 olhando o baio estendido 
 pensei, bem quieto, comigo... 
 isso não é coisa, parceiro 
 que se faça com um amigo! 
  
Am 
 coisa triste de se ver 
                  F 
 um amigo desse jeito... 
E 
 ontem mesmo lhe apertei 
             Am 
 a cincha no osso do peito! 
  
 e hoje lhe vejo assim 
                    F         E 
 posto em partida, sem viço... 

 se deus bem sabe o que faz 
                     Am 
 não tava sabendo disso! 
  
 se vai embora o meu baio 
 o pingo que eu mais gostava 
 quando morreu meu cavalo 
 por certo deus descansava! 

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